[Reflexões Dominicais] A loucura dos outros

(…) there is a dreadful fascination in other people’s madness. Perhaps it is only by the madness of others that we measure our own sanity. Or lack of it.

Este é um excerto do conto Fragments of Analysis of a case of hyesteria do escritor Ian McDonald.

À parte do brilhantismo com que foi escrito (e que me causou uma enorme dor de cotovelo por ainda não saber escrever assim), este pequeno excerto ficou retido na minha memória.

E porquê? Talvez porque, na observação diária que faço do mundo à minha volta, assista ao desenrolar da loucura nas vidas alheias e consiga, apesar de tudo, manter ainda um ténue equilíbrio na minha.

Ou pelo menos gosto de pensar que sim.

Do alto dos meus 35 anos e após uma resolução de vida, daquelas transcendentais e que me fez entrar num libertador modo «I don’t give a fuck», eis que comecei a relativizar tudo e todos. De tal modo, que por vezes penso em mim como uma espécie de E.T. completamente deslocado da realidade deste mundo.

Será esta observação um sinal da minha sanidade mental ou será que, no fundo, é a minha loucura sã que me dá uma nova dimensão da vida e de tudo o que se passa nela?

Observar as outras rotinas, as outras vidas, é um óptimo exercício para se conseguir chegar a alguma conclusões. Ou tomar decisões.

A loucura saudável que decidi abraçar tem sido absolutamente libertadora, até porque é inofensiva para qualquer outro além de mim, o que é mais do que posso dizer das loucuras alheias. Por isso esta frase me tocou particularmente.

Porque tanta vezes me pergunto se é o mundo que está louco ou se quem enlouqueceu fui eu.

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One thought on “[Reflexões Dominicais] A loucura dos outros

  1. Acho que é exactamente quando adoptamos essa postura de “I’m crazy, motherfuckers, deal with it!”, que começamos a reparar que somos a parte sã da Humanidade 🙂

    Falo por mim, que tenho fama de ser louco, e o que vejo é as pessoas à minha volta a fazerem decisões e a agirem de forma que me parece completamente louca, não só de forma subjectiva, mas pensando em termos lógicos.

    A minha conclusão so far é que somos definitivamente loucos. Ser são (na concepção socialmente aceite da coisa) é que é estúpido 🙂

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