Nunca caberei num 36…ou um Tratado sobre aprender a lidar com as frustrações pessoais

frustr1Podia ter um título mais pomposo. Podia pois! Mas não tenho e isto porque, quem me conhece, sabe que não sou de palavras mansas em temas destes.

É verdade, todos nós temos frustrações – pessoais, profissionais, não interessa – e nem sempre conseguimos lidar com elas. Outras vezes não o fazemos da melhor maneira e refugiamo-nos em algo quase destrutivo. Há quem se refugie na comida, no alcóol, nas drogas…caramba, até no sexo! A maior parte das pessoas refugia-se em anti-depressivos (não é à toa que a venda destes medicamentos aumentou drasticamente) mas raras são as vezes que se predispõem a esgravatar na merda e a enfrentar o cerne da questão.

vidaesumsacoNão sou formada em Psicologia, mas sou uma boa observadora (para não dizer curiosa acerca) do comportamento humano. Gosto de observar as pessoas à minha volta, a linguagem corporal (que tantas vezes diz o que a boca não consegue!), a interacção entre elas… (Bolas, se calhar devia mesmo ter ido para psicologia!). Geralmente, uso essa mesma realidade quando estou a escrever ou a criar cenas de quotidiano na minha cabeça.

O facto de estar constantemente em contacto com pessoas na minha actividade profissional também me obrigou a reconhecer comportamentos e personalidades. Com o tempo apercebi-me que o ser humano é especialista em criar camadas. Em esconder tudo – sentimentos, desejos, aspirações – dos outros e/ou até dele próprio. É raro encontrar alguém que viva a vida de coração aberto, com espontaneidade, ao sabor do momento, saboreando o Presente como se não houvesse amanhã. Fazendo o que lhe dá na real gana. E isto dá que pensar.

Por que razão se limitam as pessoas a fazer “o que está certo”? Mas quem é que afinal definiu o conceito de “certo” no que diz respeito à vida dos outros?

Sim, eu sei que somos criados sob conceitos sociais, sob o que ditam as regras de comportamento, do que é socialmente correcto. Tudo bem, também sei que numa sociedade com milhões de almas, tem que haver um conjunto de “normas” para que não se crie um caos. Porém, o que não consigo perceber mesmo-mesmo é porque é que as pessoas se obrigam a ser infelizes dia após dia após dia após dia, só porque “não fica bem” seguir a carreira de que se gosta ou abraçar um hobby ou fazer algo tão simples como dançar em público…aaargh! Isso a mim causa-me arrepios…no mínimo.

Contra-argumentem o que quiserem com a cantiga do costume «Ah e tal, precisamos de dinheiro para pagar as contas. Nem toda a gente pode viver da arte!» que eu não contrario este conceito. Não, nada! Eu sei disso. Bolas, eu sou a prova disso! Porém NADA nos impede de fazer algo de que gostemos fora dos horários de trabalho. Não temos ninguém que nos amarre os pés se nos apetecer dançar ou as mãos se nos apetecer escrever; as crianças deitam-se cedo e se quisermos escrever podemos reservar uma noite pelo menos, só para isso; se não temos dinheiro para um ginásio, hoje em dia é só calçar os ténis e sair para a rua porque o que não falta é gente a correr pela cidade!

A sério – não há desculpas que nos impeçam de fazer as coisas quando as queremos mesmo E nos predispomos a fazê-las. Sim, porque se não levantarmos o traseiro do sofá e arregaçarmos as mangas, as coisas não caem do Céu.

Há uns tempos ouvi uma história acerca de uma viúva que teve que mudar de sítio onde habitualmente tinha aulas de dança só porque as pessoas souberam que o marido dela tinha falecido e achavam que não lhe ficava bem dançar. Fuck, fiquei passada. Mas quem eram aquelas pessoas para acharem isso e julgarem? Porque não oferecerem antes apoio moral e perceberem que se calhar aquelas aulas de dança seriam o único motivo de alegria na vida daquela mulher? E que podiam até funcionar como exorcismo para a sua dor? Será esta sociedade “mecanizada” assim tão insensível ao próximo que não se consegue ir/ver/pensar para além do óbvio? Afinal, quem somos nós para julgar os outros?

Eu própria demorei algum tempo a atingir este estado de Don’t Give a Fuck e a perceber que SÓ cá devo andar mais uns 50 anos, portanto, o tempo voa e a vida é demasiado curta para não a aproveitar e para não fazer o que quero.

Não, não desatei a fazer saltos de pára-quedas e a ter outras atitudes suicidas (até porque isso deveria encurtar uns bons anos à minha condição cardíaca, eh eh) mas decidi abraçar como passatempos algumas actividades que adoro e que não faço a nível profissional (é nesta parte que gosto de acrescentar em pensamento a palavra ainda..não faço ainda 😀 ). E fi-lo lutando comigo própria, não apenas contra o que os outros poderiam pensar, mas sobretudo lutando contra o conformismo, contra um traseiro acomodado a uma rotina enfadonha, contra a mesmice generalizada.

Mas o que mais me deixa cheia de orgulho (sim, sim, quase raia a soberba!) é que o fiz na mesma e, ao fazê-lo, descobri um mundo novo, bem mais colorido, bem mais divertido, com lugar a emoção e a borboletas na barriga sempre que embarco numa nova aventura.vivalavida

Durante toda a minha vida levei com esses mesmos conceitos limitadores. Esses conceitos, os olhares reprovadores, foram o que me fez tomar opções que hoje em dia seriam impensáveis. Eu própria passei anos frustrada e sem saber o que fazer para lidar com isso. Era apenas mais uma dentro da carneirada, fazendo parte do rebanho ordeiro que mais não faz senão ser conduzido por alguém que lhe define horários e rotinas e limites.

A partir do momento em que me libertei, fui-me reconstruindo, porque fui retirando as camadas que eu própria tinha criado ao construir o personagem que ficava bem à minha vida real. E se no início ficou difícil perceber quem eu própria era, hoje tenho a felicidade de dizer que me conheço tão bem como a palma das minhas mãos! E esse é o meu maior tesouro.

Posso dizer que sou uma pessoa super apaixonada pela vida. Sedenta de conhecer, de descobrir e tenho planos para embarcar em muitas mais aventuras 🙂 mas isso agora não é o que mais interessa para aqui.

O que quero focar neste artigo é isto: para lidar com as minhas frustrações tive que encarar verdades que me custaram admitir. Tive que perceber que tinha errado em algumas decisões que tomei. Tive que admitir que não estava feliz. Tive que admitir que me tinha tornado uma pessoa amarga e frustrada em virtude de tudo isto. Mas olhar para o espelho e perceber que aquela pessoa que me olhava com ar macambúzio não eu (o EU na sua verdadeira essência) forçou-me a partir a carapaça e a sair em busca de mim. Sem aditivos, sem comprimidos, mas sobretudo sem amarras a nada nem a ninguém como desculpa para não sair da cepa torta.

É óbvio que isto é uma caminhada. Bolas, a própria vida é uma caminhada, cheia de coisas para aprender e absorver! E não se desfazem erros de anos a fio em um par de meses, lamento, mas a mior parte das vezes é um processo moroso. Porém, olhar para trás e perceber tudo o que já se percorreu e o que já se conquistou é uma sensação avassaladora e brutal.

Se ainda tenho frustrações? Ui, caramba, comecemos por ainda não ter conseguido caber numas calças 36 e fiquemo-nos para já por aqui que não quero alongar muito mais esta dissertação 😀 …

O que interessa é que não fujo, não me escondo e cada dia que passa me respeito mais e mais por isso.

Se me permitem umas observações finais, as carapaças são cargas pesadas de se carregar às costas muito tempo e há um dia em que sufocam tanto que já não se consegue respirar; enterrar problemas em comprimidos é o equivalente a esconder o lixo debaixo do tapete e há sempre um dia que a poeira salta fora. Portanto, lembrem-se que a vida é vossa, são vocês que a vivem na vossa pele, logo é tudo sobre vocês e não sobre os outros. A história é a vossa. Vão mesmo deixar que alguém a escreva por vocês?

Fiquem com esta reflexão para o vosso fim-de-semana, que desta vez é prolongado em virtude do feriado na segunda-feira. E sejam felizes! 🙂

happy

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