Elsa Leal| Página de autora no Goodreads

goodreadsDepois do Smashwords, eis que os dois contos publicados podem ser encontrados no site Goodreads.

Já uso esta plataforma há anos, mas apenas enquanto leitora. Agora passo a contar com ela para divulgar também os meus trabalhos.

Podem encontrar-me por lá nesta página.

Boas leituras! 🙂

Vermelho Carmim, de Elsa Leal [Conto]

Já há algum tempo que não publicava nada saído da minha imaginação. Oh, claro que tenho publicado alguns artigos, mas de facto, o que tenho feito a nível literário não tem sido divulgado aqui no blog.
E não por falta de produção, não senhor! Simplesmente, escrever com qualidade é um processo moroso e para quem tem uma actividade profissional, crianças e hobbies que implicam disponibilidade física, digamos que fica difícil conseguir fazer tanto como antigamente. Sim, afinal com esta idade já não há pestanas nem cérebro que resista a noitadas ao computador… 🙂
De qualquer forma, existem planos para começar a divulgar ao mundo algumas coisas que estão prontas.
O que aqui vos deixo faz parte de um pequeno exercício que fiz para o grupo de escrita.
Espero que gostem 😉

Riscos & Rabiscos

carmim2VERMELHO CARMIM
Elsa Leal

António semicerrou os olhos, como se esse simples esforço conseguisse conjurar a presença da sua vítima quase por artes mágicas e abriu um sorriso quando viu de novo o vulto a mexer-se por detrás do muro, na mesma direcção dos seus disparos. O muro era alto mas o pedaço de tecido manchado de vermelho que conseguia ver pela brecha não lhe deixava margem para dúvidas. Estava na cara que era a Marta dos Recursos Humanos, como se ter um cabelo até ao rabo, negro como a penugem de um corvo pudesse confundir alguém. A parva nem se tinha lembrado de apanhar a guedelha para passar mais despercebida, mas isto era o que dava tirar uma tia do conforto da cadeira do escritório e trazê-la para o terreno.

“Estás morta!”, gritou na direcção do muro, com ar triunfante. “Escusas de te esconder atrás do muro porque sei…

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[Unicórnio Alado] Contos | O Outeiro das Três Cabeças

Hoje publiquei no blog dedicado às minhas escritas mais um conto da minha autoria.

Já foi escrito há alguns meses, mas estava em stanby porque precisava de uma pequena revisão. Hoje foi o dia 🙂

Aqui fica um pequeno excerto. Para lerem o conto completo, basta seguir o link para o blog no topo da página ou clicar aqui.

Espero que gostem!

«Uma multidão corria furiosa atrás do fugitivo. Exibiam armas improvisadas, que agitavam furiosamente na sua direcção. O pequeno vulto fugia a toda a velocidade, contornando obstáculos e ignorando as dores no corpo causadas pelos objectos arremessados pela população. Tinha que escapar a todo o custo!

“Anda cá! Onde é que vais?! Ainda não acabámos contigo!”, gritavam uns.

 “Vai-te embora e não voltes a pôr aqui os pés! Nunca mais te queremos ver!”, gritavam outros.

O fugitivo desapareceu por entre o arvoredo, oculto pelas sombras da noite que acabava de cair. Normalmente, a escuridão era assustadora, mas não naquele dia. Naquele dia, o escuro foi o seu salvador e o embalo dos ramos da árvore onde se refugiou, foi o colo da mãe que nunca tinha conhecido. Ali ficou, lambendo as feridas e massajando os pés doridos de correr descalço, até à manhã seguinte.

Aos primeiros raios de sol, pôs-se de novo a caminho. Não sabia para onde ir, mas os seus pés iriam ser os seus guias, como habitualmente.

As letras do genérico passaram rapidamente sobre a imagem que ainda exibia a longa estrada e um pôr-do-sol fabuloso.

Belinda pareceu acordar de um sonho e viu a sua própria imagem reflectida na montra da loja de electrodomésticos, onde parara por breves instantes a olhar para as imagens que passavam na TV ali exposta. Ela gostava de ver televisão. Filmes, principalmente. Geralmente conseguia com que a transportassem para uma outra vida e para uma outra realidade, fazendo-a esquecer-se da sua.

Um dia ainda iria ter a sua própria televisão e uma sala onde se pudesse sentar descontraidamente. Resignada, olhou sobre o ombro para se certificar que ninguém vinha atrás dela e, quando teve a certeza que era seguro caminhar pelas ruas da vila, pegou na mala de viagem e partiu, traçando uma vez mais o seu próprio caminho.»

O Canto da Sereia | O Unicórnio Alado

“Retomei a consciência lentamente. Sentia-me completamente dorida por ter estado caída durante o que me pareceram horas intermináveis no chão duro do quarto de hotel, embora a rigidez do corpo fosse o menos grave dos meus problemas.

O cheiro agridoce da matança invadiu-me as narinas e o som das gotas de sangue que ainda escorriam do corpo da vítima batiam lentamente no chão, deixando perceber que não tinha passado tanto tempo assim.

A luminosidade que entrava pela janela fez-me ser percorrida por um sentido de urgência. Percebi que tinha que sair dali rapidamente ou estaria perdida, pois não tardaria a amanhecer e com as primeiras horas do dia voltaria o movimento característico dos corredores de um hotel. Não podia ser vista e não me apetecia voltar a matar.

– Porra, isto tem que acabar! – exclamei, enraivecida.

Geralmente preferia as mortes limpas e sem grandes alaridos, mas a decisão não estava nas minhas mãos.

Apesar de ter resmungado em voz baixa, ainda assim sabia que eles iriam ouvir-me e de novo viriam no meu encalço. Não me enganei.

Mal tinha conseguido pôr-me de pé para me vestir quando os senti a invadirem o quarto. Duas figuras altas e imponentes, que impunham respeito a qualquer um. Eram completamente diferentes, mas ainda assim eu sabia que essa diferença era mais superficial do que aparentava.

– Ao menos podiam ter-me deixado vestir!

– Sempre a reclamar. Não sei se já percebeste, mas o corpo humano para nós não vale nada. – respondeu Lúcifer apontando para o corpo da vítima a seus pés, enquanto me dava um dos seus olhares gélidos. – Podias ao menos mostrar-te agradecida pela segunda oportunidade!

 Os seus olhos conseguiam matar qualquer pessoa sem que para isso ele tivesse que mover um dedo, mas não surtiam qualquer efeito em mim. Pelo menos não enquanto estivesse no que eu gostava de definir como «período de estágio», o que era uma vantagem, já que a minha tendência para a insubordinação era lendária entre os meus iguais.

Pedro pôs-lhe uma mão sobre o ombro num gesto apaziguador. Era o único que lhe conseguia tocar sem se transformar num monte de cinzas.

– Calma Lúcifer, sabes que os caminhos da justiça divina levam o seu tempo a serem compreendidos. Dá-lhe tempo e ela habitua-se!

Revirei os olhos com impaciência, sabendo de antemão o discurso que vinha por aí. Virei-lhes as costas e fui para a casa de banho para me lavar e vestir, sem me importar minimamente com a porta, já que privacidade era uma palavra que não existia para aqueles dois.

– Dois anos, Pedro! É tempo que chegue para compreender os meios da justiça divina, não achas? Por mim basta!

– O que sugeres então?

– Um último trabalho. E depois terá que se decidir.

A minha audição apurada afinou-se ainda mais e todos os cabelos do meu corpo se eriçaram com a mudança no discurso de sempre. Aquilo era uma novidade. Geralmente seguia-se uma palestra sobre como me tinham resgatado da morte depois de alguém me ter assassinado numa noite fria, imediatamente após lhes ter prestado uns quantos favores sexuais. Sobre como a minha alma estava suja mas podia ser redimida se aceitasse o acordo que me ofereciam. Sobre a importância do trabalho que faria ao serviço da salvação das almas.

Sim, pois, como se matar pessoas para me redimir fosse assim tão diferente do que tinham feito comigo! Tretas.

Saí da casa de banho e encarei-os, de mão na anca e uma expressão de sarcasmo no rosto.

– Adoro ouvir boas ideias logo de manhã, mas primeiro tenho que sair daqui. Não tenho a capacidade de teletransportar-me de um sítio para o outro, já que alguém – acenei com o queixo na direcção de Pedro – não incluiu esse entre os meus poderes…

Ele não perdeu o seu ar complacente.

– Quando completares o período experimental virão as outras capacidades. Até lá, ficarás praticamente como a simples humana que ainda és. Devias estar grata com as pequenas melhorias que te fizemos, porque te demos as ferramentas necessárias para desempenhares o teu trabalho. Os humanos não as têm e ainda assim não são menos competentes quando se matam uns aos outros! – respondeu com aquele ar sereno que me enervava.

Não resisti a dar uma gargalhada, mas não perdi o ar sarcástico.

– Eu já era prostituta antes de morrer, e das boas, por sinal! A única coisa em que me tornaram competente foi na arte de matar. – fiz uma ligeira pausa, tentando acalmar a raiva que estava em ebulição. Depois anunciei – Vou sair agora. Fico à espera de mais instruções. Quero acabar com isto de uma vez!

(…)”

Para continuar a ler o conto, por favor entre no meu blog O Unicórnio Alado | Deixa Voar a imaginação.